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Leitura: rio Tietê

Tietê – O rio que foge do mar

Imagem: https://www.todoestudo.com.br/geografia/rio-tiete

            O Tietê nasce regato, nasce doce e limpo, morre sujo na metrópole e revive depois, nas próprias águas. O rio Tietê é um rio inteiramente paulista. Nasce em Salesópolis, na Serra do Mar, cruza todo o estado de São Paulo e deságua no rio Paraná, no limite com o Mato Grosso do Sul. Quem sai de São Paulo leva pouco mais de duas horas para chegar ao local da nascente, numa antiga fazenda da região, a 18 quilômetros do centro urbano de Salesópolis. Ali, uma placa de bronze, cravada próxima a um filete de água, apresenta a inscrição: “Aqui nasce o Tietê. Sociedade Geográfica Brasileira. 1554-1954. São Paulo.”

            Desse filete até o rio Paraná, onde deságua, o Tietê percorre cerca de 1.100 quilômetros. Ao nascer entre duas pedras, tem uma vazão de apenas 700 litros de água por hora. Aos poucos, vai ficando volumoso, à medida que recebe a adesão de uns 30 pequenos afluentes. 

            Em São Paulo, no início do século XX, o rio Tietê era um lugar onde as mulheres lavavam roupas, onde se realizavam regatas e grandes pescarias. Bem antes disso, ele foi o rio dos Bandeirantes, que o percorriam em busca do ouro, fundando novos povoamentos. Para eles, era a via de acesso às minas de ouro em Mato Grosso, nos idos de 1720. Em sua marcha, os bandeirantes usavam canoas, escavadas em um único tronco de peroba, que mediam 17 metros de comprimento, por quase 2 metros de largura e que podiam transportar até 60 toneladas de carga. Eles venciam os obstáculos a pé, carregando as canoas e voltavam a colocá-las na água, quando a navegação de novo se tornava possível. Em 1628, o bandeirante Antônio Raposo Tavares partiu em direção ao sul, em expedição às missões espanholas de Guaíra. O rio se chamava, então, Anhembi.

            O poeta Mário de Andrade assim o definiu:

“Rio que entras pela terra

E que me afastas do mar…”

            Esse rio “ao contrário”, que não corre para o mar, como a maioria dos rios brasileiros, foi durante muito tempo a única estrada para o interior. Apesar dos acidentes geográficos que impediam sua travessia em vários pontos, a viagem por ele era ainda a mais rápida. 

            O Tietê desliza tranquilo e belo, em direção a Moji das Cruzes. Em muitos bairros desta região, como o do Rio acima, moradores usam suas águas para beber e fazer comida.

            No centro de Moji das Cruzes, o Tietê ainda está vivo. Mas, à medida que se aproxima da Capital, seu leito passa a receber carga muito maior de detritos domésticos e industriais. O nível de poluição chega ao ponto máximo depois da confluência com o rio Tamanduateí, próximo à ponte das Bandeiras, no centro de São Paulo, quando recebe os resíduos de milhares de fábricas e esgotos não tratados. A prova de maior capacidade de reabilitação do rio vem dele próprio. Saindo a 200 quilômetros da Capital, a recuperação das águas começa na cidade que leva seu nome, a cidade de Tietê. As pessoas podem aí nadar, passear de barco e os peixes voltam a se reproduzir. De Barra Bonita até a foz, as águas do Tietê são consideradas limpas, mesmo recebendo os esgotos de engenhos e curtumes. A recuperação é ajudada pelo relevo, com um grande número de quedas d’água e corredeiras que aumentam a oxigenação das águas.

            Tornar o rio inteiramente limpo não é difícil, apenas custa dinheiro criar novas redes coletoras de esgoto e novas estações de tratamento.